Quando as calculadoras entraram nas salas de aula, houve quem temesse que nenhum aluno voltasse a saber fazer uma «conta de cabeça». Como professor de Matemática, posso garantir que o cálculo mental sobreviveu. Mudou, isso sim, aquilo que passámos a pedir aos alunos: menos tempo gasto em cálculos que uma máquina pode fazer, mais tempo a perceber o que estamos a calcular, que estratégia devemos escolher e se o resultado obtido faz sentido.
Com a tecnologia de hoje, a pergunta repete-se, agora mais depressa e com mais ruído. Tablets, plataformas, inteligência artificial: tudo chega à escola ao mesmo tempo, e é natural que pais e professores se perguntem se estamos a ganhar ou a perder.
As oportunidades são reais. Um aluno pode hoje aceder a recursos que há poucos anos estavam fora do alcance de qualquer escola, rever uma matéria ao seu ritmo, criar um vídeo, desenvolver um trabalho de investigação ou preparar uma apresentação em vez de se limitar a copiar um resumo. Um professor pode acompanhar melhor quem precisa de mais apoio e desafiar quem precisa de ir mais longe. Bem usada, a tecnologia pode ajudar-nos a chegar melhor a cada aluno.
Os desafios são igualmente reais. A atenção tornou-se um bem escasso, disputado por notificações que não foram desenhadas para ajudar ninguém a estudar. A facilidade de obter uma resposta pode dispensar o esforço de a procurar, e é nesse esforço que muitas vezes se aprende. E a organização do estudo, que sempre exigiu treino, exige-o ainda mais quando tudo está a um toque de distância.
Por isso, a questão que nos ocupa não é usar mais tecnologia, mas usá-la melhor. A inovação só faz sentido quando melhora verdadeiramente a aprendizagem. Isso implica ensinar os alunos a escolher a ferramenta certa para cada tarefa, a desconfiar da primeira resposta, a verificar, a questionar e a assumir a autoria e a responsabilidade pelo que produzem.
Mas há uma aprendizagem ainda mais importante. Num tempo em que a tecnologia parece capaz de fazer cada vez mais por nós, precisamos de ajudar os nossos alunos a perceber aquilo que não devemos entregar a uma máquina: a capacidade de pensar, de escolher, de cuidar do outro, de distinguir o que é verdadeiro do que apenas parece verdadeiro e de usar a liberdade com responsabilidade. Num colégio de matriz cristã, esta preocupação faz parte da nossa forma de educar: a tecnologia deve estar ao serviço da pessoa, e nunca o contrário.
No desporto, o melhor equipamento nunca substituiu o treino. Na escola, o melhor ecrã também não substitui o pensamento, nem o professor que o provoca, nem a relação humana que tantas vezes torna possível aprender.
A escola e a família não competem; completam-se. Deixo uma sugestão para esta semana: perguntem aos vossos filhos que ferramentas digitais usam para estudar, para quê e como confirmam se aquilo que encontram está certo. É uma conversa simples, mas importante. Mostra-lhes que aquilo que pensam, as escolhas que fazem e a forma como chegam a uma resposta contam mais do que aquilo que conseguem simplesmente copiar.
Porque educar não é apenas preparar para um mundo com mais tecnologia. É formar pessoas capazes de a usar com inteligência, liberdade, responsabilidade e sentido do outro.
Contem connosco.
Fernando Fidalgo · Diretor Pedagógico Geral
A palavra infância vem do latim infans, que quer dizer, à letra, «aquele que não fala». Tem graça pensar nisto quando olhamos para uma criança de três anos que pede água em português à mãe, em inglês à educadora e, ao pai, numa mistura das duas que só ele entende à primeira. Não fala? Fala a dobrar.
Também bilingue tem história: bi, duas vezes; língua, que em latim era, e continua a ser, ao mesmo tempo o músculo com que falamos e o idioma que usamos. Crescer entre duas línguas é então aprender a mover a mesma língua de duas maneiras. E é, sobretudo, ver o mundo com duas janelas abertas.
Quando se fala deste tema, as perguntas repetem-se. Vai baralhar-se? Vai começar a falar mais tarde? Em que língua se deve falar em casa?
Comecemos pela mistura. Quando uma criança junta palavras das duas línguas na mesma frase, não está confusa: está a usar tudo o que sabe para se fazer entender. Os adultos bilingues fazem exatamente o mesmo, e ninguém os acusa de confusão. Com o tempo, a criança percebe com quem usa cada língua e em que situações, e a alternância passa a ser escolha.
A neurociência entende o bilinguismo como uma experiência neurocognitiva intensa que reconfigura a estrutura e o funcionamento do cérebro. A nível neurológico, as evidências refutam mitos antigos de que aprender duas línguas geraria atrasos no desenvolvimento. Em vez disso, demonstram benefícios significativos na plasticidade e na resiliência cerebral.
Mas, claro, numa criança bilingue é facilmente constatável que a extensão vocabular expressa, numa das línguas, pareça mais pequena do que a de um colega que só fala uma. Somadas as duas, a conta rapidamente se equilibra.
Não obstante, como em todas as outras dúvidas, se alguma coisa inquietar os pais, o conselho é simples: falem com a equipa escolar que vos acompanha. Observar a criança em conjunto é sempre o melhor ponto de partida.
E em casa? Deixo três sugestões, mais do que regras: falem com os vossos filhos na língua em que sentem, aquela em que vos sai naturalmente a canção de embalar, as zangas e os mimos; sejam coerentes, sem rigidez, porque há famílias em que cada adulto usa a sua língua, outras que separam por momentos do dia, e ambas funcionam; e leiam, contem histórias, cantem nas duas línguas. Criem vínculo.
Em contexto escolar, o bilinguismo é um posicionamento, é uma disponibilidade para receber o mundo, para sensibilizar o ouvido, para conviver com tranquilidade e compreender para além do exato vocábulo. Queremos que se ouçam as duas línguas, desde cedo, mesmo para quem não é bilingue.
A ideia não é transformar a primeira infância numa sucessão de aulas de inglês, mas sim brincar com a língua, usá-la, cantá-la e conviver com ela. É perguntar em português e ouvir a resposta em inglês entendendo-a, nomear em duas línguas os objetos da brincadeira ou marcar o ritmo da hora de arrumar a sala. Trata-se de criar disponibilidade e gosto para a aprendizagem. À medida que a criança cresce e a educação académica chega, este processo estrutura-se e caminha para um estudo formal que deve ser sempre movido pela curiosidade e pela sede de entendimento.
Crescer entre duas línguas não é dividir a criança ao meio. É dar-lhe duas margens e um barco para ir e vir entre elas. Naveguemos, então, juntos.
Inês Villas-Boas Martins · Diretora Pedagógica, Oceanus International School
A 1 de outubro assinala-se o Dia Mundial da Música. Cantar, ouvir e fazer música em conjunto é uma forma simples de estar juntos e, ao mesmo tempo, apoia o desenvolvimento da linguagem, da memória e da atenção. O Gabinete Psicopedagógico partilha consigo algumas sugestões para trazer mais música para o dia a dia da família.
Cante para o seu filho nos momentos de rotina, como o banho, a muda da fralda ou a hora de dormir. Não é preciso afinação: a voz de quem cuida é o som que mais o acalma e ajuda-o a familiarizar-se com os sons da língua.
Construam instrumentos com materiais de casa, como um frasco com arroz ou uma caixa com elásticos, e acompanhem canções com palmas e ritmos. Rimas e lengalengas são excelentes aliadas da linguagem e da memória.
Criem uma lista de músicas da família: cada um escolhe uma canção e explica porque gosta dela. Se o seu filho aprende um instrumento, valorize o esforço e a persistência nos treinos, mais do que a perfeição.
Desejamos a toda a comunidade escolar uma semana com mais música e mais momentos partilhados.
Semana de 28 de setembro a 2 de outubro de 2026
| Dia | Sopa | Prato | Vegetariano | Sobremesa |
|---|---|---|---|---|
| Segunda | Creme de legumes | Massa carbonara, salada de tomate | Massa carbonara s/ bacon, salada de tomate | Fruta variada da época |
| Terça | Creme de nabo e cenoura | Feijoadinha (s/ enchidos) c/ arroz, legumes salteados | Feijoadinha de seitan c/ arroz, legumes salteados | Fruta variada da época |
| Quarta | Creme de couve-flor e feijão manteiga | Bolonhesa de atum, salada de alface e rúcula | Bolonhesa de soja, salada de alface e rúcula | Fruta variada da época |
| Quinta | Creme de nabo e cenoura | Almôndegas c/ esparguete, salada mista | Almôndegas de legumes c/ esparguete, salada mista | Fruta variada da época |
| Sexta | Creme de couve-flor e feijão verde | Bacalhau espiritual, salada mista | Seitan gratinado c/ legumes e batatas, salada mista | Fruta variada da época |
Acompanhamento diário: legumes salteados ou salada, consoante o prato. Para mais informação sobre alergénios, contacte a nossa equipa.
Porque educar é um caminho partilhado, esta newsletter traz-lhe as notícias, as conquistas e o que vem a seguir, semana após semana.